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Os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável propostos pela ONU. Parte 2
Os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável propostos pela ONU. Parte 2

Na parte 1 desta série de matérias sobre os ODS abordamos os 6 (seis) primeiros, e também procuramos atualizar os dados a respeito dos avanços conquistados até o presente momento. Entretanto, se você perdeu essa ótima leitura, clique aqui e fique por dentro de tudo.

Dando prosseguimento a este tema, hoje exploraremos mais seis objetivos, que são os seguintes:

  • Energia limpa e acessível;
  • Trabalho decente e crescimento econômico;
  • Indústria, inovação e infraestrutura;
  • Redução das desigualdades;
  • Cidade e comunidades sustentáveis;
  • Consumo e produção responsáveis.

Quando se fala de energia limpa e acessível, a ideia central deste objetivo passa por assegurar o acesso confiável, sustentável, moderno e a um preço acessível para toda a população do planeta. Muitos podem crer que este objetivo seja alcançado mais facilmente, no entanto, a realidade é outra.

Segundo relatório da ONU, divulgado em 2022, hoje existem 733 milhões de pessoas ao redor do mundo que não têm acesso à eletricidade e 2,4 bilhões de pessoas que cozinham usando combustíveis prejudiciais à saúde e ao meio ambiente. Nesse ritmo atual, 670 milhões de pessoas continuarão sem eletricidade em 2030. É urgente o debate sobre maiores investimentos em energias limpas e de fácil acesso, pois somente desta forma conseguiremos alterar o atual panorama.

Já o 8°(oitavo) objetivo, que aborda a questão do trabalho decente e do crescimento econômico tem várias particularidades. O conceito de “trabalho decente” foi formalizado em 1999 pela Organização Internacional do Trabalho, e é definido como: “trabalho adequadamente remunerado, exercido em condições de liberdade, equidade e segurança, capaz de garantir uma vida digna”. E quando existe este trabalho decente, consequentemente, há crescimento econômico. Assim, atingir esse objetivo seria um dos maiores aliados para a superação da pobreza e da desigualdade social. De modo geral, o mundo vinha numa curva ascendente e positiva no que se refere à questão do crescimento econômico e conquista do trabalho decente, porém a pandemia de COVID-19 prejudicou muito essa evolução favorável conquistada. Para se ter ideia, no Brasil a taxa de desemprego, que era de 11,7% em 2019 (já considerada muito alta), bateu 14% em outubro de 2020. A recuperação da economia pós-Covid se mantém em ritmo lento, o que dificulta a concretização deste objetivo.

O 9°(nono) objetivo que trata de indústria, inovação e infraestrutura tem como pilar o desenvolvimento de infraestruturas de qualidade para a população, trazendo protagonismo para as indústrias. Esse protagonismo só será possível se essas mesmas indústrias promoverem dois agentes muito importantes para suas bases: inovação e sustentabilidade. E é nesse objetivo, em especial, que a temática do ESG começa a tomar corpo como pilar fundamental de desenvolvimento. No Turismo infraestrutura e sustentabilidade precisam sempre caminhar lado a lado.

O 10°(décimo) objetivo tem como ideia principal o esforço necessário para a redução de desigualdades, e para isso é essencial que governos trabalhem e criem políticas públicas com o objetivo da geração de oportunidades igualitárias para todos. O principal fator para determinarmos a desigualdade social é concentração de renda. Para se ter noção, o Brasil foi considerado em estudo do PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento) o segundo país mais desigual do mundo em 2019. Além desta métrica, existe o coeficiente de Gini que também mede a desigualdade em determinado local, onde o número varia de 0 (sem desigualdade social) até 1 (o máximo de desigualdade que possa existir). Ao fim do ano de 2022, o índice do Brasil estava em 0,493.

Quando falamos em cidades e comunidades sustentáveis existem seis ideias centrais neste objetivo, que são elas:

-Acesso a moradia segura, adequada e acessível;

-Acesso aos serviços básicos e urbanização inclusiva e sustentável;

-Acesso ao transporte seguro, acessível, sustentável e eficiente; -Redução do número de pessoas afetadas por catástrofes naturais; -Redução do impacto ambiental negativo;

-Proporcionar o acesso universal a espaços públicos, inclusivos e verdes, entre outros.

Segundo dados das Nações Unidas mais de 4 bilhões de pessoas (mais de 50% da população mundial) vivem em centros urbanos ao redor do mundo, sendo que esse número deve passar para 75% da população do planeta até 2050. A falta de planejamento estrutural durante esse crescimento é extremamente prejudicial para o desenvolvimento sustentável de uma cidade. Dentro de diversas cidades brasileiras, já existem atualmente ações que buscam melhorias em sua administração e em seu crescimento. São Paulo, por exemplo, aderiu ao “Compromisso Global da Nova Economia de Plástico”, com o objetivo de que 100% das embalagens plásticas possam ser recicladas ou reaproveitadas até 2025, também com o objetivo de reduzir o impacto ambiental negativo.

E muito se engana quem pensa que este tipo de ação só deve ser pensado por entidades administrativas. Fazer a reciclagem correta dentro de sua casa, evitar o desperdício de alimentos, trocar o plástico por papel, todas essas são ações simples, mas que impactam severamente na melhoria da sustentabilidade da Terra.

E por fim, quando a ONU desenvolveu a meta de consumo e produções responsáveis umas das principais preocupações centrais é com o desperdício de recursos. Você sabia que 30% de todos os alimentos produzidos ao redor do mundo são perdidos antes mesmo de chegar ao consumidor? Enfrentar o desperdício é uma luta necessária para a concretização deste ODS.

A premissa é simples, não podemos produzir mais do que o planeta é capaz de fornecer, ou seja, para alcançarmos as metas de consumo e produção responsáveis é necessária a mudança nos padrões de consumo e produção atuais. O gerenciamento eficiente de recursos naturais, o descarte de resíduos e o tratamento de poluentes de forma correta são passos importantes para isso.

Como conclusão, após as reflexões propostas nesta semana, fica evidente como o cuidado para com nosso planeta não depende só dos outros. Se mudarmos pequenas atitudes diárias, dentro de nossos próprios lares, estaremos contribuindo de forma ativa para que a nossa geração e as futuras tenham um mundo mais sustentável e capaz de abrigar todos de forma igual.

Vamos dar nossos primeiros passos?

Fonte: ONU, UFMG, IPEA e OIT

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